Empresa sul-coreana inicia investigação com autoridades brasileiras após falha em lançamento de foguete em Alcântara

Foguete Hanbit-Nano explode após lançamento em Alcântara A empresa sul-coreana Innospace informou, nesta segunda-feira (26), que iniciou uma investigação ...

Empresa sul-coreana inicia investigação com autoridades brasileiras após falha em lançamento de foguete em Alcântara
Empresa sul-coreana inicia investigação com autoridades brasileiras após falha em lançamento de foguete em Alcântara (Foto: Reprodução)

Foguete Hanbit-Nano explode após lançamento em Alcântara A empresa sul-coreana Innospace informou, nesta segunda-feira (26), que iniciou uma investigação conjunta com autoridades brasileiras para apurar as causas da falha que fez com que o foguete Hanbit-Nano se fragmentasse logo após o lançamento no Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, no dia 22 de dezembro do ano passado, encerrando a missão prematuramente. O lançamento fazia parte da missão comercial chamada “SPACEWARD”. Segundo a empresa, uma condição anormal foi detectada durante o voo, o que levou ao encerramento seguro da missão com a explosão do foguete, conforme os procedimentos previamente estabelecidos. Não houve registro de feridos nem de danos a instalações. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Primeiro foguete comercial partindo do Brasil é lançado no Maranhão; transmissão aponta anomalia Reprodução Em comunicado aos acionistas, o CEO da Innospace, Kim Soo-jong, afirmou que, logo após o lançamento, a empresa iniciou uma análise interna preliminar para identificar as possíveis causas do problema. De acordo com o comunicado, esse primeiro trabalho foi realizado de forma prioritária devido às restrições operacionais no Brasil durante o período de Natal e férias de verão, que limitaram a mobilização imediata de órgãos e especialistas. Com base nos resultados iniciais, a Innospace informou que deu início a uma investigação conjunta com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), órgão oficial do Brasil responsável por apurar ocorrências envolvendo aeronaves e veículos espaciais. A investigação inclui a análise de dados de voo do foguete, informações de sistemas em solo e registros operacionais, com o objetivo de identificar, de forma técnica e objetiva, os eventos ocorridos ao longo de todo o processo de lançamento. Segundo a empresa, o CENIPA classificou o caso como um incidente, e não como um acidente, e destacou que a investigação não tem como finalidade atribuir culpa ou responsabilidade civil, mas esclarecer os fatos com precisão técnica. Ainda de acordo com o comunicado, apesar do insucesso da missão, os dados coletados durante o voo e em solo são considerados um ativo tecnológico importante. A empresa afirma que essas informações serão utilizadas para aprimorar o foguete Hanbit e aumentar a segurança e a taxa de sucesso de lançamentos futuros. A Innospace informou que não há, por enquanto, uma data definida para novos lançamentos, já que o cronograma dependerá dos resultados finais da investigação e da definição das melhorias técnicas necessárias. Após a conclusão das correções, a empresa pretende obter novamente a autorização de lançamento junto às autoridades competentes antes de retomar as operações. No comunicado, a empresa também afirmou que o processo de apuração pode levar vários meses, mas garantiu que irá divulgar de forma transparente, dentro do possível, o andamento da investigação e seus principais resultados. Saiba mais sobre o lançamento: Primeiro foguete comercial partindo do Brasil é lançado no Maranhão e explode após decolagem CEO de empresa responsável por lançamento pede desculpas VÍDEO: nova imagem mostra momento exato da explosão Foguete que explodiu após lançamento em Alcântara levava satélites e experimentos científicos do Brasil e da Índia ‘Chance de êxito no primeiro tiro é baixa’, diz professor sobre foguete que explodiu no MA Problemas no lançamento: quando e por que um foguete pode ser derrubado por segurança; veja infográfico Há 22 anos, foguete brasileiro explodiu na Base de Alcântara e matou 21 pessoas; relembre Foguete se fragmentou após passar por camada de nuvens Veja como foi lançamento do primeiro foguete comercial partindo do Brasil O foguete Hanbit-Nano sofreu uma falha e se fragmentou em três ou quatro partes. Ele explodiu 30 segundos após a decolagem no Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, no dia 22 de dezembro, encerrando a missão prematuramente. A informação foi dada no dia 29 de dezembro do ano passado pela Innospace, que forneceu detalhes sobre a explosão. O lançamento fazia parte da missão Spaceward, o primeiro teste comercial da companhia. Não houve vítimas nem danos ao solo. Segundo a Innospace, o veículo de dois estágios decolou normalmente às 10h13 (horário da Coreia) — 22h13 do dia 22 no Brasil — e iniciou o voo ao longo da trajetória vertical planejada. O motor híbrido de 25 toneladas funcionou bem na fase inicial, registrando um marco mundial: o primeiro voo de um motor híbrido de médio a grande porte. Ao atravessar uma camada de nuvens, a comunicação com o solo foi perdida. Logo depois, o foguete apresentou falha, se fragmentou em três ou quatro partes e caiu dentro da área de segurança. O Sistema de Terminação de Voo foi acionado, provocando a explosão controlada no impacto com o solo. A empresa informou que o procedimento seguiu protocolos internacionais acordados com a Força Aérea Brasileira. Apesar da falha, a Innospace destacou que conseguiu coletar informações importantes da decolagem e da fase inicial do voo. Parte dos destroços foi recuperada e será usada em análises técnicas. A carga útil e o satélite do cliente estão cobertos por seguro. A Innospace afirmou, ainda, que iniciou uma análise preliminar da causa da interrupção do voo, com base nos instrumentos de voo e nos dados de rastreamento da Força Aérea Brasileira. No entanto, a causa definitiva da falha no lançamento será confirmada por meio de uma investigação e revisão oficiais conduzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes de Aviação (CENIPA) da Força Aérea Brasileira. A companhia disse, também, que o episódio não deve afetar contratos futuros. Uma nova tentativa de lançamento do Hanbit-Nano está prevista para o próximo ano, também em Alcântara, em data a ser definida após a conclusão da investigação. Lançamento do foguete Lançamento do primeiro foguete orbital em solo brasileiro Innospace/Reprodução O foguete sul-coreano HANBIT-Nano foi lançado às 22h13 do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Durante a transmissão ao vivo, a equipe responsável exibiu a mensagem “We experienced an anomaly during the flight”, indicando que uma anomalia foi identificada durante o voo. Logo depois, o sinal foi interrompido. (Veja o vídeo do lançamento no início da matéria). O vídeo da transmissão acompanhou a trajetória do foguete por pouco mais de um minuto. Duas câmeras estavam localizadas nos estágios do foguete. Em um momento, o foguete consegue chegar a Mach 1 - que é quando a velocidade de um objeto espacial ultrapassa a velocidade do som. Em seguida, o HANBIT-Nano segue em direção à orbita da Terra, até que chega a MAX Q - que é quando um objeto espacial alcança a maior intensidade da força aerodinâmica até chegar a atmosfera. Logo depois, a transmissão foi cortada pela Innospace, impossibilitando acompanhar o resto do voo. O voo do foguete HANBIT-Nano teve pouco mais de um minuto de duração antes que a transmissão fosse interrompida. Durante esse tempo, foi possível observar o início da jornada espacial, mas logo após, o sinal foi cortado, impossibilitando o acompanhamento do restante do voo. Equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Corpo de Bombeiros do CLA foram enviadas ao local para avaliar os destroços e a área da colisão. Os destroços do HANBIT-Nano caíram em uma área que pertence a Basse O voo não era tripulado. O foguete levava a bordo experimentos científicos e dispositivos tecnológicos, que seriam usados em pesquisas desenvolvidas por instituições do Brasil e da Índia. (Entenda mais abaixo) Tamanho do foguete 🚀 Como é o foguete que fará o primeiro voo comercial partindo do Brasil? O HANBIT-Nano tinha 21,9 metros de altura, pesava 20 toneladas e tinha 1,4 metro de diâmetro (veja mais detalhes abaixo). Em sua trajetória até a órbita da Terra, ele pode chegar a 30 mil km/h. Em números simplificados, ele equivale à altura de um prédio de sete andares, pode voar até 30 vezes mais rápido que um avião comercial e tem peso semelhante ao de quatro elefantes africanos. Batizada de Spaceward, a missão envolve um trabalho coordenado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB). O objetivo era levar ao espaço cinco satélites e três dispositivos que auxiliarão pesquisas em mais de cinco áreas, desenvolvidas por instituições do Brasil e da Índia. Ao g1, a Agência Espacial Brasileira (AEB) informou que a Innospace firmou um acordo de prestação de serviços pelo valor mínimo de retribuição ao Estado com o Governo Brasileiro. Essa modalidade não prevê 'lucro'. Arte: Como é o foguete HANBIT-Nano Arte/g1 Localização 'privilegiada' Construído na década de 1980, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no litoral do Maranhão, conta com atrativos geográficos que fazem a área ser bastante atrativa e cobiçada para o lançamento de dispositivos espaciais. 📌 Dentre os motivos, está a localização próxima à linha do Equador — faz com que os foguetes gastem menos combustível e, com isso, o custo da operação seja menor. Além disso, a área fica próxima a uma ampla extensão do litoral, tem baixa densidade do tráfico aéreo e um amplo leque de inclinações orbitais para os lançamentos. 💨Quanto menor a latitude — sendo zero na Linha do Equador —, melhor é considerado o local para a realização de lançamento de foguetes. A velocidade de rotação de superfície, necessária para colocar o foguete em órbita, é maior quanto mais próximo à linha que divide os hemisférios Norte e Sul. Isso exige menor consumo de combustível da aeronave e menor tempo de viagem à órbita. Arte: Por que Alcântara? Arte/g1 Apesar destas qualidades, a base se tornou por décadas subutilizada. Entre os motivos, estão o grave acidente há mais de 20 anos no local e questões fundiárias. A tragédia interferiu para a consolidação do Brasil no mercado espacial, com redução da atividade em Alcântara a partir de 2003. ➡️ O acidente aconteceu três dias antes do lançamento do foguete VLS-1, protótipo que colocaria em órbita dois satélites nacionais de observação terrestre. A estrutura estava montada e o dispositivo passava por ajustes finais, quando um dos motores teve uma ignição prematura e o protótipo foi acionado antes do tempo. A torre acabou explodindo e 21 civis que trabalhavam no local morreram. Leia também: Maior desastre espacial brasileiro completa 20 anos; veja o que mudou Brasil pede desculpas e reconhece que violou direitos de quilombolas por implantação do Centro de Lançamento de Alcântara Já a questão fundiária levou Alcântara até à cortes internacionais. Os conflitos pela terra com as comunidades quilombolas que viviam na região antes da instalação da base viraram processos judiciais que se arrastaram por décadas.