Justiça Federal manda fechar lixão em área reivindicada por indígenas em Viana, na Baixada Maranhense

Justiça dá seis meses para Viana desativar lixão clandestino

Justiça Federal manda fechar lixão em área reivindicada por indígenas em Viana, na Baixada Maranhense
Justiça Federal manda fechar lixão em área reivindicada por indígenas em Viana, na Baixada Maranhense (Foto: Reprodução)

Justiça dá seis meses para Viana desativar lixão clandestino
A Justiça Federal determinou que a Prefeitura de Viana, na Baixada Maranhense, encerre, em até seis meses, um lixão clandestino instalado em uma área reivindicada pelo povo indígena Akroá-Gamella. O território está em processo de demarcação.
A decisão atende a um pedido do Ministério Público Federal do Maranhão (MPF-MA) em uma ação civil pública. Além da desativação do lixão, o município deverá recuperar a área degradada e regularizar a gestão dos resíduos sólidos produzidos na cidade.
O lixão funciona no povoado Tabareuzinho/Cavacos, dentro dos limites da Terra Indígena Taquaritiua, segundo o MPF.
Fiscalizações realizadas entre 2023 e 2025 pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (Sema) identificaram o funcionamento de um depósito de lixo a céu aberto no local.
Durante as vistorias, foram encontrados resíduos domésticos e hospitalares, como seringas, frascos de soro e outros materiais usados em serviços de saúde.
Os fiscais também registraram:
queima irregular de lixo;
produção de chorume sem tratamento;
risco de contaminação do solo e da água;
presença de moscas, urubus e outros animais transmissores de doenças;
ausência de licenciamento ambiental.
Justiça Federal manda fechar lixão em área reivindicada por indígenas em Viana, na Baixada Maranhense
Prefeitura alegou que lixão foi desativado
Durante o processo, o município pediu a extinção parcial da ação e afirmou que o lixão havia sido desativado. Segundo a prefeitura, uma área de transbordo passou a ser usada para a separação dos resíduos.
A administração municipal também informou que firmou contratos para transportar o lixo até um aterro sanitário licenciado em Rosário, também no Maranhão.
Ao analisar o caso, a Justiça considerou que a interrupção do descarte não elimina os danos ambientais já provocados. Segundo a decisão, ainda é necessário retirar e tratar os resíduos, recuperar a área e reparar os prejuízos causados à coletividade.
A Justiça também afirmou que há indícios suficientes das irregularidades e que a demora na adoção das medidas pode agravar os danos.
O que a Justiça determinou
Em caráter de urgência, o município deverá interromper o descarte e a queima de resíduos no lixão de Tabareuzinho/Cavacos.
No prazo de seis meses, a prefeitura deverá:
desativar completamente o lixão;
apresentar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos;
apresentar um projeto de aterro sanitário ou outra solução ambientalmente adequada prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos.
A Justiça também estabeleceu prazo de 90 dias para a regularização da área de transbordo, principalmente em relação ao manejo de resíduos hospitalares.
Em caso de descumprimento da ordem de desativação, o município poderá pagar multa diária de R$ 5 mil, além de ficar sujeito a outras medidas judiciais.

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