TRE mantém cassação de prefeito e vice de Nova Olinda do Maranhão por compra de votos nas eleições 2024

Ary Menezes é eleito prefeito por dois votos de diferença em Nova Olinda do Maranhão Reprodução/Redes Sociais O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (T...

TRE mantém cassação de prefeito e vice de Nova Olinda do Maranhão por compra de votos nas eleições 2024
TRE mantém cassação de prefeito e vice de Nova Olinda do Maranhão por compra de votos nas eleições 2024 (Foto: Reprodução)

Ary Menezes é eleito prefeito por dois votos de diferença em Nova Olinda do Maranhão Reprodução/Redes Sociais O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) manteve, nesta quinta-feira (30), a decisão que cassou o mandado do prefeito de Nova Olinda do Maranhão, Ary Menezes (PP), e do vice-prefeito, Ronildo da Farmácia (MDB), por compra de votos nas eleições de 2024. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp A decisão foi tomada após voto unânime de todos os membros da corte do TRE. Com isso, foi mantida a decisão de primeira instância que reconheceu os crimes. Segundo o TRE, ainda cabe recurso em instâncias superiores. A decisão que cassou ambos decorre de uma ação judicial movida pela pela ex-candidata a prefeita Thaymara Amorim (PL), que ficou em segundo lugar nas Eleições de 2024 por apenas dois votos. O município de 14 mil habitantes teve a disputa pela prefeitura mais acirrada em todo o país. Compra de votos comprovada Justiça Eleitoral cassa mandato de prefeito e vice de Nova Olinda do Maranhão Segundo a juíza Patrícia Bastos de Carvalho Correia, da 80ª Zona, sediada em Santa Luzia do Paruá, a campanha eleitoral de Ary Menezes em 2024 foi marcada por práticas ilícitas, como a oferta de dinheiro, materiais de construção e empregos em troca de votos. Testemunhas confirmaram repasses em espécie e via PIX, além da distribuição de telhas e promessas de cargos na administração municipal. Também foram relatadas ameaças a eleitores que se recusaram a apoiar Ary Meneses. A juíza destacou que a diferença de apenas dois votos entre Ary Menezes e Thaymara Muniz foi determinante para comprovar o impacto das irregularidades no resultado final da eleição. Para ela, o abuso de poder econômico e a compra de votos, tipificados pela legislação eleitoral, feriram a igualdade da disputa e a liberdade do voto. A defesa de Ary e Ronildo alegou que as provas apresentadas eram ilegais, sustentando que parte do material teria sido obtido de forma irregular e que houve tumulto processual com a inclusão de novos elementos durante a ação. Os argumentos, no entanto, foram rejeitados pela magistrada. Na sentença, Ary Menezes e Ronildo Costa foram declarados inelegíveis por oito anos, receberam multa individual de R$ 25 mil e tiveram os diplomas cassados. Ary chegou a ser preso Ary Meneses chegou a ser preso no âmbito da Operação 'Cangaço Eleitoral', da Polícia Federal, em dezembro de 2024. Na época, ele era considerado foragido da Justiça por conta de um mandado de prisão pelos crimes de compra de votos, aliciamento, intimidação e ameaça a eleitores. No entanto, após se entregar e cumprir três dias de prisão temporária, Ary foi solto no dia 17 de dezembro e aguardava o resultado do processo de cassação. Investigações após reportagem do Fantástico A operação 'Cangaço Eleitoral' é um desdobramento do caso que foi destaque no Fantástico, em outubro de 2024, quando um eleitor afirmou que vendeu o voto em troca de telhas, sacos de cimento e madeira após sofrer ameaças. As investigações também identificaram indícios da prática de outros crimes, como intimidação de eleitores, além de extorsão qualificada, desvio de recursos públicos, constituição de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Cidade onde candidato comprou votos teve eleitor entrando com 'óculos-espião' De acordo com a PF, a suspeita é de que o grupo criminoso atuava através de aliciamento de eleitores e posterior compra de votos, seguido de atos de ameaça e intimidação com cobrança de valores e apoio político em favor de candidato a prefeito indicado pelo esquema. Investigações apontam diversos relatos de pessoas que teriam sido abordadas por integrantes do grupo para que aceitassem dinheiro ou materiais de construção em troca de apoio. Pessoas que firmaram o acordo, mas mudaram de opinião política ou declaram que não iriam mais votar no candidato a prefeito indicado pelo grupo, relataram terem sofrido ameaças e represálias, inclusive intimidações com armas de fogo. Outras pessoas ouvidas pela PF também disseram terem sido vítimas de intimidação e ameaças realizadas por indivíduos armados associados ao grupo investigado. Segundo elas, as vítimas foram coagidas a remover materiais de propaganda política de candidatos adversários e a interromper atividades relacionadas à campanha eleitoral. O que diz a Prefeitura? Por meio de nota, a Procuradoria Municipal de Nova Olinda do Maranhão reforçou que a decisão não é definitiva e que, dentro do prazo de recurso, será apresentado um novo pedido de suspensão da medida para que o caso seja reavaliado (leia a nota na íntegra abaixo). Nota da Procuradoria Municipal de Nova Olinda do Maranhão: "A respeito da recente decisão proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE/MA), esclarecemos que não se trata de decisão definitiva, sendo plenamente cabível a interposição de recurso. Informamos que será apresentado novo recurso dentro dos prazos legais, com pedido de efeito suspensivo, a fim de que a decisão seja devidamente reavaliada pelas instâncias competentes. Dessa forma, o Prefeito permanece no exercício regular de suas funções, mantendo-se a normalidade administrativa do município, até o julgamento final do caso pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Reafirmamos nosso compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições, confiando na revisão da decisão pelas instâncias superiores."